
Agosto, 26-2026
Há nomes que ficam ligados para sempre à história de uma terra. Em Monte Córdova, um desses nomes é o de José António Martins, o homem que, no final do século XIX, recebeu o título de 1.º Barão de Monte Córdova.
O título nobiliárquico foi criado pelo rei D. Luís I, por decreto de 22 de setembro de 1887, em favor de José António Martins. A escolha de Monte Córdova para designar o título não foi, por isso, uma mera formalidade: o nome da freguesia passou a acompanhar oficialmente aquele que se tornaria uma figura ligada à história económica e social da região.
Da terra natal ao Pará
José António Martins partiu ainda jovem para o Brasil. Chegou ao Pará numa época em que a economia da borracha começava a ganhar importância e encontrou em Belém um território de oportunidades para os comerciantes portugueses.
A sua trajetória foi marcada pela atividade comercial, sobretudo no comércio de importação e exportação. A investigação histórica dedicada à sua família mostra como José António Martins construiu uma importante rede de relações entre Portugal e o Brasil, beneficiando da crescente importância económica do Pará.
A ascensão económica acabaria por lhe proporcionar uma posição de destaque na sociedade paraense e, posteriormente, o reconhecimento nobiliárquico em Portugal.
O regresso a Santo Tirso
Apesar dos anos passados no Brasil, José António Martins manteve uma ligação à sua terra de origem.
Em Santo Tirso, ficou associado à Quinta da Palmeira, propriedade que as fontes históricas descrevem como pertencente ao Barão de Monte Córdova. Uma publicação histórica de Santo Tirso chega a apresentar a quinta como a residência do titular, destacando a sua beleza e a importância que assumia na paisagem local.
Já no início do século XX, os jornais da época registavam a presença do Barão na sua quinta, descrevendo-a como uma propriedade de recreio.
Uma vida entre a fortuna e a adversidade
A história do Barão de Monte Córdova não foi, contudo, feita apenas de riqueza e prestígio.
A investigação académica sobre a sua trajetória revela que a fortuna lhe foi algumas vezes favorável e noutras adversa. Depois de alcançar uma posição económica confortável através dos negócios no Pará, enfrentou dificuldades e procurou recuperar parte da riqueza perdida através de uma gestão mais prudente.
José António Martins não deixou descendência direta. Não casou nem teve filhos reconhecidos, mas vários familiares seguiram posteriormente o caminho da emigração para o Pará, mantendo a ligação da família ao Brasil.
O fim de uma história
Os últimos anos da vida do Barão foram marcados por problemas de saúde. Em 1907, José António Martins morreu na Quinta da Palmeira, em Santo Tirso.
A sua morte mereceu destaque na imprensa da época. O Diário de Notíciaspublicou uma notícia acompanhada por uma pequena biografia, referindo a sua morte na Quinta da Palmeira e recordando que recebera o título de Barão de Monte Córdova das mãos de D. Luís e que fizera fortuna no Pará.
Um título que ficou ligado à terra
Hoje, o título de Barão de Monte Córdova encontra-se extinto. Mas o nome permanece associado à história da freguesia.
José António Martins representa uma das muitas histórias de homens que partiram de terras portuguesas em direção ao Brasil em busca de melhores oportunidades e que, através do comércio e da emigração, conseguiram alcançar posições de relevo.
A diferença é que, neste caso, o sucesso alcançado no outro lado do Atlântico acabou por fazer regressar a Monte Córdova um título nobiliárquico que perpetuou o nome da própria terra.
O Barão de Monte Córdova levou o nome da freguesia consigo — e deixou-o inscrito na história.