Realizou-se a 14 de agosto, a rentrée politica do PSD, na tradicional Festa do Pontal, que aconteceu no Calçadão de Quarteira, no Algarve.
O distrito do Porto liderado pelo Presidente da Distrital, António Bragança Fernandes, participou nesta festa com cerca de 500 militantes.
A comitiva distrital foi composta por Militantes, Autarcas, Deputados e Dirigentes Distritais e Concelhios do PSD, dos TSD e da JSD do Distrito do Porto, entre os militantes sociais democratas de santo Tirso liderados pela presidente da concelhia, Andreia Neto.
Foi em tom de desafio que Pedro Passos Coelho atacou: “Esta solução de Governo está esgotada.” Depois da longa lista de reversões que marcou o primeiro ano da equipa de António Costa com o apoio das “esquerdas radicais” do Bloco, PCP e PEV, o que tem agora o Governo para oferecer se a economia não descola e não tem margem financeira para continuar a sustentar as exigências dos parceiros parlamentares?
“Numa altura em que praticamente esgotou o que era o seu compromisso com os partidos e o resultado é a estagnação, que coisas novas o Governo tem para oferecer ao país? Que noticias para 2017 e 2108? Alguma coisa populista que não custe dinheiro?”, ironizou o líder do PSD durante o seu discurso na Festa do Pontal esta noite perante 2100 pessoas. É o próprio líder do PSD que tem a resposta: “Não tem nada para oferecer do ponto de vista económico a não ser a estagnação e eventualmente o conflito com os credores, com as instituições europeias e os investidores.” Mas “também está esgotada socialmente porque esta troika governativa só sabe fazer o que é fácil – e depois do que é fácil acabaram-se as boas ideias”.
Porque além das “boas ideias” quase nada resta já que os dados do INE vieram esta semana mostrar que a economia está agora a crescer “metade do que crescia há um ano”. “Eu não sou pessimista, os números infelizmente é que não são bons. Não é uma questão de opinião”, argumentara aos jornalistas à chegada ao jantar. E lembrou Espanha que, sem Governo desde Dezembro, cresce mais de 3%. A explicação para o que se passa está, por isso, “cá dentro”: tudo o que o Governo prometeu de estrutural “não está a acontecer, está a falhar”.
“Eu gostava de estar mais optimista para o país porque isso era um bom sinal para toda a gente. Mas acho que é muito negativo quando os governantes fazem de conta que não vêm a realidade. Isso normalmente é um mau sinal para futuro e eu gostaria que o nosso futuro pudesse ser melhor do que aquilo que os números que têm sido divulgados apontam”, vincou ainda aos jornalistas quando questionado sobre o seu sistemático discurso pessimista dos últimos meses.
Prometendo “aguardar com muita curiosidade o que aí vem nos próximos meses”, Passos Coelho deixa no entanto antever que a sua expectativa é que a “geringonça” ainda se aguente mais um ano. Apesar de por vezes PS, BE e PCP discordarem para fazer “figura”, serão responsáveis o suficiente para “tratarem de aprovar o OE2017”. Mas para lá disso permanece a incógnita.
É por esse momento que o PSD deve aguardar – e foi também aqui que chegou o recado especialmente dirigido para dentro do PSD. “Se há um esgotamento desta solução de Governo, temos que permanecer fiéis ao que é o nosso compromisso com o país e a nossa alma social-democrata: reformista e inconformista.” A que acrescentaria mais tarde a “liderança” para prometer que “enquanto líder do PSD” nunca abdicará de “lutar por esta visão e este futuro” para o país, mesmo quando é preciso “ir ao fundo dos problemas e não ficar pelas palavras bonitas”.
Ou ter uma atitude de “fingimento, de fazer de conta, de facilidade, do empurra com a barriga e depois logo se vê”. Ou ainda ter uma “cultura de compadrio, em que quem exerce funções públicas não saber distinguir o exercício da função do que pode ser a esfera pessoal ou partidária” – uma bicada que lembrou, por exemplo, a polémica das viagens oferecidas pela Galp a governantes.
Com uma plateia amorfa, composta por muita gente de cabelo branco que veio à boleia de autocarros fretados pelas concelhias e distritais sociais-democratas de todo o país (e até da Madeira) Passos Coelho recordou o seu apelo, neste mesmo palco, em 2014, para a “última das grandes reformas que o país tem de fazer”: a reforma da Segurança Social. Mas que, acrescentou, o PS tem recusado sistematicamente – “antes das eleições era tarde, agora não querem” e recusou no Parlamento a constituição de uma comissão para discutir o assunto.
Antes da intervenção do presidente do partido subiram ao palco o líder da JSD algarvia, assim como o presidente da concelhia de Loulé e o da distrital do Algarve. De todos vieram críticas sobre a redução das portagens durante o Verão em apenas 15% quando a esquerda tinha feito promessas entre os 50% (PS) e o corte total (BE e PCP), ou sobre a falta de condições de saúde nos hospitais da região. De David Santos, o novo líder do PSD Algarve e anterior presidente da CCDR algarvia – que o Governo exonerou em Junho -, vieram as críticas mais fortes também ao processo de descentralização de António Costa, afirmando que, ao contrário do que tem sido anunciado, o Algarve tem perdido competências. Por exemplo, até as juntas médicas dos trabalhadores da região são agora realizadas em Lisboa.
Fonte: Publico