
Setembro, 02-2026
Luís Filipe Maia
Artista tirsense apresenta o primeiro trabalho a solo, construído a partir de experiências pessoais, colaboração e uma forte afirmação da sua identidade artística.
Aos 25 anos, xxMia, nome artístico de Ana Margarida, dá um novo passo na carreira musical com o lançamento de “Moonlogue”, o seu primeiro álbum a solo. Natural de Santo Tirso, a artista apresenta um trabalho que assume como uma expressão mais íntima da sua personalidade e da sua visão criativa.
O álbum chegou às plataformas digitais na última sexta-feira, 28 de agosto, depois de ter tido uma primeira apresentação em formato físico durante o mês de julho.
A ligação de xxMia às artes começou ainda na infância, através da dança e da participação em concursos de talentos. O percurso levou-a posteriormente ao Balleteatro, no Porto, onde frequentou o curso de Teatro, mantendo em paralelo uma relação cada vez mais próxima com a música.
Ao longo dos anos, aprendeu a tocar guitarra, ukulele e piano e começou também a escrever e compor as próprias músicas, recorrendo tanto ao inglês como ao português.
Antes desta estreia individual, a artista passou por diferentes projetos musicais. Em 2024, participou na edição do CD físico “Eclipse”, desenvolvido em formato de duo, e lançou igualmente o EP acústico “The Delicate Art of Healing”.
Com “Moonlogue”, a cantora assume agora uma dimensão diferente do seu percurso: pela primeira vez, coloca no centro do projeto a sua própria identidade e experiência.
O título do álbum resulta da combinação das palavras inglesas “moon” e “monologue” — lua e monólogo. A escolha pretende traduzir a passagem de uma carreira construída também através de projetos coletivos para um momento em que a artista assume a sua própria voz.
A lua surge como um elemento simbólico associado às diferentes fases, à transformação e à liberdade. Conceitos que atravessam um álbum pensado como um retrato pessoal e artístico de xxMia.
Apesar do caráter individual do projeto, “Moonlogue” não deixa de valorizar a colaboração. A produção contou com a participação de músicos independentes e de artistas queer, com quem xxMia partilha experiências e uma visão comum sobre a importância da representatividade.
A sua própria vivência enquanto mulher trans está igualmente presente na forma como encara este trabalho, procurando transformar o álbum num espaço de expressão, identificação e liberdade criativa.
Uma das opções assumidas pela artista durante o processo de produção foi a não utilização de inteligência artificial na criação do álbum.
A decisão está diretamente relacionada com a importância atribuída à componente humana da criação artística. As músicas partem das suas experiências, emoções e histórias, enquanto o resultado final é construído através da colaboração entre as pessoas envolvidas no projeto.
Disponível em inglês e português, “Moonlogue” assinala assim o início de uma nova etapa para xxMia. Mais do que uma estreia discográfica, o álbum apresenta-se como uma afirmação pessoal e como o resultado de uma procura por maior liberdade na forma de criar, escrever e interpretar.
