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Sons da memória marcam 29.ª edição do Festival Internacional de Guitarra de Santo Tirso

Agosto, 31-2026

Luís Filipe Maia

Festival decorre de 14 a 18 de outubro e reúne intérpretes de seis países, cruzando tradição, contemporaneidade e diferentes linguagens musicais

A memória como fonte de criação e ponto de encontro entre tradição e contemporaneidade é o eixo central da 29.ª edição do Festival Internacional de Guitarra de Santo Tirso (FIGST), que decorre de 14 a 18 de outubro. Ao longo de cinco dias, o festival apresenta concertos, atividades educativas, exposições, cinema, conferências, mesas-redondas e masterclasses, com a participação de músicos provenientes de seis países.

Sob o mote «A Guitarra e suas Memórias», a edição de 2026 pretende revisitar o legado de grandes nomes da guitarra e, simultaneamente, explorar novas abordagens ao instrumento, promovendo o diálogo entre diferentes tradições musicais e culturais.

A programação arranca a 14 de outubro, às 21h30, com o britânico Mela Guitar Quartet. O agrupamento de guitarra clássica venceu, em 2013, a International Ensemble Competition da Guitar Foundation of America (GFA).

No dia 15, é a vez do Al Jus Duo, formado por Davide Amaral e António Justiça. A dupla apresenta um programa dedicado à música contemporânea portuguesa, que inclui uma homenagem ao compositor Bernardo Sassetti.

A noite de 16 de outubro será preenchida por duas propostas distintas. O Duo Nura, constituído por Leonor Biu e Filipe Neves Curral, cruza música popular, erudita e folk de inspiração ibérica e sul-americana. No mesmo dia atua o sueco Johannes Möller, guitarrista e compositor distinguido, entre outros, com o European Guitar Award, em 2009, e o primeiro prémio da International Concert Artist Competition da Guitar Foundation of America, em 2010.

A programação prossegue a 17 de outubro com a atuação da russa Vera Danilina, considerada um dos talentos emergentes da guitarra clássica. A intérprete venceu, em 2022, o Concurso Internacional de Guitarra Clássica Michele Pittaluga.

O encerramento, a 18 de outubro, estará a cargo do Duo Siqueira-Lima, formado por músicos do Uruguai e do Brasil. O repertório da dupla percorre diferentes universos, da música clássica barroca à música popular latino-americana.

Para o presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, Alberto Costa, o festival está “consolidado como uma referência incontornável no panorama nacional e internacional”, sendo objetivo do município “continuar a inovar e a criar novos motivos de interesse”, reforçando também a ligação à comunidade.

O autarca destaca ainda a importância das iniciativas dirigidas às escolas e aos mais jovens, aproximando-os “da música e da cultura” e contribuindo para a sua formação.

Também o diretor artístico do FIGST, Oscar Flecha, sublinha a dimensão de cruzamento cultural da edição deste ano. Segundo o responsável, o festival pretende criar “um espaço de encontro onde elementos diversos dialogam em harmonia”, permitindo à música explorar novos caminhos.

Além da programação de concertos, o FIGST mantém uma forte componente educativa e de proximidade. Estão previstas atividades dirigidas a escolas e famílias, com propostas centradas na escuta ativa, criatividade e inclusão social.

O programa inclui ainda uma mostra de Media Arts, a exposição de fotografia «Ressonância Magnética, o guitarrista de volta na sua pessoa», o filme «Estórias do Rio Ave», mesas-redondas, conferências e masterclasses.

A 29.ª edição do Festival Internacional de Guitarra de Santo Tirso propõe, assim, uma programação assente na relação entre memória e criação, colocando a guitarra no centro de um diálogo entre diferentes épocas, geografias e linguagens musicais.

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