
Abril, 16-2026
Luís Filipe Maia
A aprovação das contas de 2025 do Município de Santo Tirso ficou marcada pela divisão política, com os vereadores do PSD a votarem contra o documento e a deixarem críticas à gestão financeira do executivo socialista.
Em causa está um resultado líquido negativo de 2,3 milhões de euros, apontado pelos social-democratas como o mais desfavorável das últimas duas décadas. Durante a reunião de Câmara realizada esta quarta-feira, os eleitos do PSD consideraram que os números confirmam uma “trajetória preocupante”, iniciada no ano anterior e agravada em 2025.
Apesar das justificações apresentadas pelo executivo, a oposição destaca que a receita fiscal atingiu valores recorde, registando um aumento de cerca de 15%. Para os vereadores social-democratas, este crescimento contraria a ideia de alívio fiscal e levanta dúvidas sobre a forma como os recursos estão a ser geridos.
À margem da reunião, o vereador Ricardo Pereira criticou a leitura feita pelo executivo, acusando-o de tentar “justificar o injustificável”. O autarca considera que os munícipes estão a suportar um maior esforço financeiro sem que isso se traduza numa gestão mais equilibrada.
Outro dos pontos sublinhados pelo PSD prende-se com o aumento da despesa municipal, que terá crescido mais de 26% num ano, correspondendo a um acréscimo superior a 11 milhões de euros. Segundo Ricardo Pereira, esta evolução revela uma opção por “gastar no presente sem acautelar o futuro”.
Os social-democratas alertam ainda para a redução da tesouraria do município, que, de acordo com os dados apresentados, diminuiu em 8,2 milhões de euros. Para o PSD, esta quebra resulta da utilização de reservas acumuladas, o que poderá comprometer a sustentabilidade financeira a médio prazo.
Perante este cenário, o partido defende a necessidade de maior rigor e transparência na gestão dos recursos públicos, deixando um apelo à reflexão sobre o rumo financeiro do concelho.