
Setembro, 25-2026
Projeto prevê uma AERPI com até 120 vagas, 10 casas individuais e várias respostas sociais integradas. Quatro hectares da Quinta do Paço foram disponibilizados por uma família para a concretização da iniciativa.
Um investimento estimado em cerca de 10 milhões de euros está na base do PRIS+ — Polo de Reinserção e Inclusão Social+, um projeto que pretende criar, em Meixomil, uma estrutura social com várias valências integradas.
A iniciativa foi apresentada esta quarta-feira na Junta de Freguesia de Meixomil e deverá ser instalada na Quinta do Paço, num terreno com cerca de 16 hectares. Deste espaço, quatro hectares foram disponibilizados pela família proprietária para a concretização do projeto.
Segundo Maria Tomás, presidente do PRIS+, a nova estrutura pretende ultrapassar o modelo tradicional de resposta social para a população idosa, apostando num conceito integrado, centrado na qualidade de vida, autonomia e ligação à comunidade.
Uma das principais valências previstas é uma AERPI — Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, para a qual o projeto pretende candidatar-se ao máximo de 120 vagas, número máximo permitido pela legislação aplicável, de acordo com a responsável.
Mas a resposta residencial será apenas uma das componentes do futuro polo. O PRIS+ pretende reunir diferentes valências e serviços num mesmo espaço, permitindo aos utilizadores ter acesso a várias respostas sem perder autonomia.

O projeto contempla, entre outras propostas, jardins sensoriais, hortas, espaços com animais e um riacho, numa conceção que pretende valorizar o contacto com a natureza e proporcionar diferentes experiências aos residentes.
Uma das componentes diferenciadoras do projeto será a construção de 10 casas individuais, com diferentes tipologias, nomeadamente T0, T1 e T2.
A intenção é criar uma alternativa para pessoas que pretendam manter uma maior autonomia habitacional, mas continuar a ter acesso às respostas e serviços disponibilizados pelo polo.
“Não será apenas um centro de idosos. Temos pensado 10 casas individuais, para que as pessoas também possam ter uma opção, se não quiserem estar integradas num espaço comum”, explica Maria Tomás.
Estas habitações deverão permitir aos residentes manter maior independência, ao mesmo tempo que terão acesso a serviços como restaurante, acompanhamento médico e apoio de enfermagem. O objetivo passa também por evitar situações de isolamento social.
A presidente do PRIS+ considera que o conceito pretende introduzir uma abordagem diferente na área das respostas sociais. A ideia, segundo Maria Tomás, foi inspirada num projeto existente em Itália.
“Queremos sair um bocadinho fora da caixa, queremos algo diferente. Queremos ser um polo integrado com todas as valências que pudermos integrar”, afirma.

O presidente da Junta de Freguesia de Meixomil, Valentim Sousa, sublinha que o objetivo não passa pela criação de uma nova instituição destinada a replicar respostas que já existem no território.
“Nós não pretendemos ter mais uma IPSS para se sobrepor às outras. É um conceito diferente, fora da caixa”, salienta.
A Junta de Freguesia esteve envolvida na criação das condições para o avanço da iniciativa, nomeadamente através da articulação com a Câmara Municipal de Paços de Ferreira e outras entidades.
Segundo Valentim Sousa, a oportunidade surgiu com a disponibilização do terreno na Quinta do Paço, tendo sido posteriormente desenvolvidos contactos para estruturar o projeto e constituir a associação.
O PRIS+ já ultrapassou a fase inicial de constituição da associação e, de acordo com o responsável, já obteve lugar no CLAS — Conselho Local de Ação Social. O projeto encontra-se agora a preparar os passos seguintes com vista à constituição como IPSS — Instituição Particular de Solidariedade Social.
A concretização do polo deverá contar também com financiamento comunitário, estando já a ser preparadas candidaturas para apoiar o desenvolvimento da iniciativa.
“Não há memória de termos um investimento deste âmbito em Meixomil, que ronda cerca de 10 milhões de euros, se entretanto não for mais”, afirma Valentim Sousa.
Para o presidente da Junta, a dimensão financeira representa apenas uma parte da importância do projeto, destacando sobretudo a possibilidade de criar uma resposta social diferenciada no território.
O número final de vagas das restantes valências ainda não está definido, uma vez que dependerá do desenvolvimento do projeto, das possibilidades de financiamento e dos processos de licenciamento.
O PRIS+ pretende servir a população de Meixomil e do concelho de Paços de Ferreira, mas também responder às necessidades das populações do território envolvente, através de uma estrutura integrada e de proximidade.
A implementação do projeto deverá decorrer por fases, não estando ainda definido o calendário final para a construção da infraestrutura.