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Mário Ferreira quer “arrumar a casa” e aproximar freguesia da população
Mário Ferreira ladeado pelo restante executivo
(Flávia Sampaio e Horácio Ferreira)

Março, 02-2026

Luís F. Maia / Carla Patrícia Nunes

Depois de quatro anos na oposição, Mário Ferreira conquistou a presidência da Junta de Freguesia de Vilarinho com uma vitória expressiva nas eleições de outubro de 2025. Aos 24 anos, torna-se no mais jovem autarca da região, assumindo a liderança do executivo com a promessa de mudança, maior proximidade à população e uma gestão mais dinâmica. Nesta entrevista, fala sobre o peso da responsabilidade, os primeiros meses de mandato e as prioridades que traçou para a freguesia.

Jornal Cordovense – Aos 24 anos assume a presidência da junta. Sente o peso da responsabilidade ou encara-o como uma oportunidade para provar o seu valor?

Mário Ferreira – Assumir a presidência da junta aos 24 anos é, naturalmente, sentir o peso da responsabilidade. Representar a população e tomar decisões que impactam o dia a dia das pessoas exige consciência e maturidade. Mas encaro este serviço à causa pública como uma oportunidade de provar que a idade não define competência e que a dedicação e o trabalho sério fazem a diferença, essa é a marca da equipa que lidero. Também é importante lembrar que ninguém faz nada sozinho e que a equipa que me acompanha congrega gente de todas as idades e experiências.

JC – Depois de um mandato na oposição, o que encontrou diferente agora que está no poder? Alguma surpresa?

MF – Depois de um mandato na oposição, a principal diferença é perceber a complexidade que existe “do lado de cá”. Há processos administrativos e burocracias que são um verdadeiro desafio e que só se vencem com muita disponibilidade e dedicação. Felizmente, temos tido esta dedicação constante, uma presença muito regular e dedicado muito tempo à nossa missão comum. Isto permite vencer alguma desta dificuldade.  Estando na oposição, nem sempre são totalmente visíveis estas limitações. A maior surpresa foi perceber o volume de trabalho diário e a necessidade constante de priorizar, sendo certo que esta perceção também nos mostrou que havia muita coisa por fazer que não estava feita por falta de disponibilidade. No fundo, reportar cedo a quem de direito um problema ou uma necessidade garante uma resposta mais célere. Hoje, somos uma Junta de Freguesia que reporta na hora as dificuldades e vamos tendo resposta das várias entidades, nomeadamente da Câmara Municipal que tem tido para connosco uma resposta muito dedicada sobretudo na área da proteção civil, do ambiente e do saneamento.

JC – Durante a campanha falou em mudança. O que, concretamente, tem vindo a mudar nos últimos meses?

MF – Quando falei em mudança, referia-me a uma gestão mais próxima das pessoas, mais transparente e participativa. Nos últimos meses temos reforçado a comunicação com a população, agilizado respostas a pequenos problemas que estavam pendentes e iniciado uma revisão de prioridades no investimento local. Nos últimos tempos as pessoas sentiram verdadeiramente essa mudança. Hoje, os nossos funcionários têm uma organização mais controlada e eficaz, que garante uma freguesia mais limpa e com melhores condições. Esta liderança junto dos nossos funcionários permitiu resolver uma série de problemas relacionados sobretudo com sarjetas e sumidouros sem grelhas de proteção, passeios partidos, ou até buracos abertos há anos. Devo dizer-lhe que hoje, um buraco que se abra no paralelo é tapado no próprio dia ou no dia seguinte. Foi assim na Rua da Lamela, na Rua da Eiró de Cima ou na Travessa da Lage, por exemplo. O reforço da comunicação também passa por justificar isto. Hoje, se a Junta de Freguesia não comunicar parte dos problemas que resolve as pessoas nem chegam a reparar neles tal é a prontidão da nossa resposta.  Hoje, resolvemos todos estes acumulados na rua, mas também na Escola da Lage e já estamos a tratar também do edifício da Junta de Freguesia e do nosso cemitério. Cuidar diariamente do que o nosso permitirá que não voltaremos a chegar a este estado de descuido e abandono que encontramos. Do ponto de vista do dinamismo, tambem potenciamos já vários eventos e a comparação para o que antes havia nem se coloca. Vivemos, de facto, novos tempos e são tempos em que o presidente se vê na rua a resolver.

JC – Como responde a quem possa questionar a sua experiência devido à idade?

MF – A melhor resposta às dúvidas sobre a minha idade é o trabalho. A experiência constrói-se também no exercício das funções. Estou rodeado de uma equipa competente e disponível para aprender todos os dias. A idade pode significar menos anos de percurso, mas também traz energia, disponibilidade e uma visão renovada e tenho todas estas valências ao serviço máximo da freguesia. Hoje as pessoas contam com um jovem que tem como prioridade fazer de Vilarinho uma vida melhor, nada mais do que isso.

JC – A juventude pode ser vista como energia e inovação, mas também como falta de maturidade. Já sentiu resistência por parte de instituições ou parceiros?

MF – É verdade que a juventude pode gerar alguma desconfiança inicial. Senti, em alguns momentos, necessidade de provar mais do que outros, mas isso foi algo que se colocou sobretudo há 4 anos. Repare, eu já faço política desde 2017. Apesar de ser o candidato mais jovem nas últimas eleições, nenhum dos outros tinha sequer metade da minha experiência política. À medida que o trabalho se desenvolve e os resultados aparecem, essa resistência tende a dissipar-se. O respeito conquista-se com responsabilidade e coerência e naturalmente quanto às instituições e associações da nossa terra nunca senti isso. Sou parte de muitas delas e todos acabam por conhecer bem o meu dedicado percurso. Devo até dizer que são as associações e as instituições um verdadeiro apoio à nova liderança, têm colaborado em tudo de forma motivada, sempre que chamados.

JC – Quais são as três primeiras medidas que quer ver no terreno até ao final do primeiro ano do mandato?

MF – Até ao final do primeiro ano de mandato quero ver no terreno três medidas concretas: melhoria da manutenção dos espaços públicos, por via da limpeza das ruas e da conservação dos nossos edifícios, a requalificação da Rua de Valinhas e o início dos procedimentos para regularizar vários registos de propriedade da freguesia, nomeadamente caminhos e fontanários, faz parte desta missão de se querer arrumar a casa.

JC – Vai manter algum projeto da anterior gestão, ou pretende marcar uma rotura clara ?

MF – Obviamente que daremos continuidade a alguns projetos. A freguesia é a mesma e junta muitas prioridades. A ligação da Rua das Raposeiras à Rua de Eiró de Cima e o parque da Ponte do Burgo são intervenções que queremos priorizar. 

JC – Como tem gerido a relação com a oposição agora que ocupa o lugar que antes criticava?

MF – Agora que estou no executivo, procuro manter uma relação institucional com a oposição. Sei bem o papel que desempenham e reconheço a importância da fiscalização e da crítica construtiva. O diálogo deve prevalecer e as assembleias são o palco desse diálogo onde faço gosto em explicar as nossas decisões

JC – Que áreas da freguesia considera mais urgentes: apoio social, infraestruturas, juventude, cultura?

MF – Todas as áreas são importantes, mas considero as infraestruturas como urgências imediatas, sem descurar a juventude e a cultura, que são essenciais para o dinamismo e identidade da freguesia. O apoio social é um caminho que se faz muito através de sinalização junto da CMST, mas também procuramos reforça-lo através das nossas iniciativas.

JC – Os jovens muitas vezes sentem-se afastados da política. O que vai fazer para os envolver?

MF – Para envolver os jovens, é fundamental criar canais reais de participação: assembleias jovens, consultas públicas digitais e apoio a associações juvenis. Os jovens precisam de sentir que a sua opinião conta e que podem influenciar decisões, o trabalho de comunicação nas redes sociais é muito importante para essa aproximação. Obviamente que hoje a equipa que apoia a Junta de Freguesia também junta muita juventude e isso assegura dinamismo.

JC – Está preparado para tomar decisões impopulares se considerar que são necessárias?

MF – Sim, estou preparado para tomar decisões impopulares, se forem necessárias e sustentadas no interesse coletivo. Liderar também é assumir responsabilidades difíceis. Procuraremos sempre congregar o máximo de vontades, mas muitas vezes as pessoas querem os seus caprichos pessoais à frente do interesse de todos e isso não é possível. 

JC – Onde quer que a vila esteja quando terminar o seu mandato?

MF – Quero que, no final do mandato, a vila seja reconhecida como mais organizada, limpa, mais cuidada, mais participativa e mais solidária. Que as pessoas sintam que houve progresso concreto na sua qualidade de vida, nas nossas ruas e no dinamismo que apresentamos. Vilarinho deve orgulhar as suas gentes e tornar-se uma referência local.

JC – Este é um projeto de quatro anos ou o início de uma carreira política mais longa?

MF – Neste momento, o meu foco é cumprir bem este mandato de quatro anos. O futuro dependerá do trabalho realizado e da confiança que a população depositar em mim. Mais do que uma carreira política, vejo isto como um compromisso com a minha terra e quando entrei na política este foi sempre o meu objetivo.
Baden Powell dizia que devemos deixar o mundo sempre um pouco melhor do que o encontramos, e esse é um lema de vida que se aplica a tudo. O meu objetivo passa por deixar Vilarinho uma Vila melhor e independentemente do que o futuro possa trazer, não haverá nunca maior honra e privilégio do que o de desenvolver a terra que me viu nascer e de melhorar a vida das pessoas que fazem parte do meu dia a dia.

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