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Em que gasta a Câmara o nosso dinheiro – Prá Frente Santo Tirso

O Sr. Presidente da Câmara, nos seus incontáveis discursos, tem feito repetidas profissões de fé acerca da descentralização de meios e apoio às populações do concelho, beneficiando principalmente as mais afastadas da cidade e do centro.

No entanto, a realidade demonstra exactamente o contrário!

Numa das últimas semanas foram tornadas públicas notícias que nos deviam encher de satisfação enquanto tirsenses. Foi anunciado pela Câmara Municipal a aprovação de financiamentos para alguns empreendimentos em construção, ou já concretizados, e vindos do mandato anterior, nomeadamente o Parque Urbano de Rabada e a Piscina Municipal, numa soma de 1,3 milhões de euros, montante que irá permitir pagá-los completamente.
Outra novidade anunciada foi a da Câmara Municipal ter conseguido agora mais um financiamento dedicado à eficiência energética, no âmbito do Programa Operacional Temático de Valorização do Território (POVT) no valor de 600 mil euros, com o objectivo de substituir a actual iluminação pública por dispositivos do tipo “LED”. De acordo com a nota publicada na imprensa, essa alteração vai permitir ao município uma poupança anual de 140 mil euros.
Mais recentemente, a Câmara anunciou, noutra nota de imprensa, que está a promover obras de beneficiação em quatro fontes ornamentais do concelho, com o “objectivo de eliminar as perdas significativas de água detectadas”, o que irá permitir uma poupança na ordem dos 48 mil euros até 2017.
No geral, o município de Santo Tirso conseguiu, desde 2014, e só em financiamentos comunitários, mais de cinco milhões de euros. São exemplo desses financiamentos, os que anteriormente já tinham sido solicitados com destino ao pagamento dos projectos de requalificação do Museu Municipal Abade Pedrosa / Museu Internacional de Escultura Contemporânea e a requalificação da Zona Industrial de Fontiscos, que, como se sabe, já vinham do anterior mandato.
Tendo presente os ganhos atrás mencionados devemos acrescentar que, ao contrário do que o Sr. Presidente da Câmara quis fazer crer no início do mandato, a situação financeira vinda da Câmara anterior não “inspirava cuidados”, na medida em que foi sempre uma boa contribuinte, com muitas centenas de milhares de euros ao longo dos anos para o FAM (o fundo de apoio municipal às autarquias super endividadas). Assim como devemos ter presente que, mercê dessa sanidade financeira herdada, a Câmara Municipal de Santo Tirso tem um dos mais baixos encargos com despesa de pessoal, porque tem um rácio de trabalhadores por milhar de habitantes muito baixo e, consequentemente, uma despesa relativa com o pessoal também muito baixa. E por isso, ao abrigo do Orçamento Geral do Estado para 2015, Santo Tirso é dos poucos municípios que tem condições para realizar novas contratações de pessoal, caso assim o entenda. Só esperamos que essa possibilidade não seja um pretexto para que a Câmara Municipal comece a contratar funcionários e mais funcionários, normalmente para pagar favores partidários, porque o quadro do pessoal que existe já é reconhecidamente suficiente para as necessidades do nosso município, sejam a sua experiência e a sua capacidade técnica aproveitadas e estimuladas como deve ser!
Esta realidade é fruto de uma gestão rigorosa também do anterior executivo, nos catorze anos em que exerceu funções. No entanto, apesar das excelentes condições financeiras que a actual Câmara herdou, não se tem vislumbrado quaisquer efeitos dessas “boas” contas do município nas catorze uniões e freguesias do concelho. A dotação, neste mandato, de 400 mil euros, para despesa de capital, é manifestamente insuficiente para acudir às muitas necessidades das populações mais afastadas da cidade de Santo Tirso. E os 28 mil euros que cabem em média a cada união e freguesia por ano, não são suficientes para suprir as mais básicas necessidades de arranjos e melhorias. Donde apenas se pode tirar uma conclusão: com esta política, a Câmara Municipal só pode ter os cofres cheios!
O Sr. Presidente da Câmara, nos seus incontáveis discursos, tem feito repetidas profissões de fé acerca da descentralização de meios e apoio às populações do concelho, beneficiando principalmente as mais afastadas da cidade e do centro. No entanto, a realidade demonstra exactamente o contrário! Os apoios às populações e às suas necessidades são, na realidade, inversamente proporcionais à distância que as separam do centro de Santo Tirso, fazendo deste executivo camarário o mais centralista dos últimos quinze anos!
Com estas evidências é caso para se perguntar ao Sr. Presidente, afinal em que gasta a Câmara Municipal o nosso dinheiro?

Pelo Grupo Independente “P’ rá Frente Santo Tirso!”

Henrique Pinheiro Machado

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