O Desportivo das Aves carimbou ontem na Madeira o regresso à I Liga, dez anos depois , ao arrancar um empate (2-2) na Ribeira Brava diante do União, em jogo da 39.ª jornada da II Liga. Os festejos até estavam longe de acontecer, pois ao intervalo os avenses estavam a perder por 2-0, mas Luís Barry e Alexandre Guedes acabaram por marcar os golos que fizeram rebentar a festa da equipa treinada por José Mota, que assim se junta ao Portimonense no lote de equipas promovidas ao escalão principal.
“Os campeões fazem-se de sofrimento, entrega e ambição. Foram os adjetivos desta equipa ao longo desta época. Conseguir a subida de divisão a três jornadas do fim é um feito muito importante”, afirmou José Mota, o treinador do Desp. Aves, destacando que a promoção “é um prémio muito justo para os jogadores e para a direção, que tudo fizeram para que nada faltasse aos profissionais”.
Uma das principais figuras dos avenses é o guarda-redes Quim, que aos 42 anos regressa ao escalão principal, no qual foi campeão ao serviço do Benfica, além de ter representado o Sp. Braga durante muitos anos. “Este feito tem tanto ou mais sabor do que ser campeão nacional pelo Benfica”, começou por dizer, mostrando-se disposto a continuar a representar o clube da Vila das Aves. “Sinto-me muito bem, mesmo tendo 42 anos, para continuar a ajudar a equipa. Seria muito bom terminar a carreira na I Liga”, disse o internacional português.
A festa rebentou na Vila das Aves assim que terminou a partida na ilha da Madeira, pois a Câmara Municipal de Santo Tirso tinha montado um ecrã gigante junto ao estádio dos avenses para que cerca de dois mil adeptos pudessem acompanhar a partida, que terminou cerca das 13.00. A partir desse momento os festejos a prolongaram-se durante todo o dia, tendo a noite, já com a equipa presente, sido animada pela atuação do cantor popular Quim Barreiros. Esta será a quarta vez que o Desportivo das Aves vai disputar a Liga principal do futebol português, pois nas três anteriores foi sempre uma das equipas despromovidas. Mas para já, e ainda com três jornadas por disputar na II Liga, a equipa de José Mota vai tentar conquistar o primeiro título nacional do seu historial. Mas para isso terá de recuperar a desvantagem de dois pontos que tem em relação ao líder Portimonense, treinado por Vítor Oliveira.
EQUIPA RECEBIDA EM EUFORIA NO AEROPORTO
A comitiva do Desportivo das Aves, que assegurou a subida à I Liga portuguesa de futebol, foi recebida num clima de euforia, no aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto.
Mais de um milhar de adeptos deslocaram-se até ao aeroporto para esperar pela equipa, que voou desde o Funchal, onde jogou com o União da Madeira, conseguindo um empate (2-2), suficiente para garantir a promoção, 10 anos depois da última presença no primeiro escalão.
Depois de uma espera de quase uma hora, animada com cânticos alusivos à subida de divisão e ao objetivo da garantir o título da II Liga, que a equipa ainda persegue, a explosão de alegria aconteceu assim que os jogadores atravessaram a porta das chegadas.
No êxtase dos festejos, vários adeptos saltaram as barreiras de segurança e foram ao encontro de jogadores, treinadores e dirigentes para os abraçar, criando-se momentos de alguma confusão, mas sem incidentes.
O guarda-redes Quim, o presidente da SAD do Desportivo das Aves, Luíz Andrade, e o técnico José Mota foram alguns dos elementos mais saudados pelos adeptos.
O treinador lembrou que, “apesar de pequena, a Vila das Aves tem gente fantástica, que adora o futebol, que ao longo dos anos tem cimentado a sua posição no futebol português, e que merece todo este êxito”.
As palavras do treinador foram interrompidas com mais abraços dos adeptos e também pelo esforço das forças de segurança em encaminhar a comitiva para um autocarro que levou o grupo para Vila das Aves, onde foram recebidos em êxtase por milhares de adeptos.