
O Nós Cidadãos apresentou a candidatura à Assembleia da República pelo círculo eleitoral do Porto, encabeçada por Manuel Pinho, ontem à noite, na Casa do Infante, no Porto.
O local levou naturalmente à figura do Infante D. Henrique e aos Descobrimentos. Depois de ler o poema “Infante”, de Fernando Pessoa, Manuel Pinho voltou-se para os “quatro pontos cardeais” do programa eleitoral, que permitirão “cumprir Portugal”.
Círculos uninominais importantes para fazer ouvir a voz dos cidadãos
O primeiro ponto orientador defende a criação de círculos uninominais e, em paralelo, a criação de um círculo nacional, de modo a promover a maior representatividade possível na Assembleia da República. “É uma reforma que o próprio Presidente da República pretende, mas os partidos não deixam. O Nós Cidadãos tem de fazer isso: mostrar que a cidadania tem de chegar à Assembleia da República”, afirmou. Atacou também os partidos que se têm alternado no poder de promoverem os “amicismos e nepotismos” e utilizarem o poder para proveito próprio.
Coesão: “É mais fácil construir uma nova ponte no Douro do que o IC 35, tão importante para a população”
O segundo “ponto cardeal” aponta para a coesão territorial e social, capaz de promover o crescimento demográfico, essencial para a sustentabilidade futura do país, requalificando o Estado e os Serviços Públicos, através de um novo Contrato Social com todos os Cidadãos, valorizando devidamente todo o interior do país. Manuel Pinho focou-se no distrito do Porto para mostrar que, ao contrário do que acontece com Lisboa, a grande metrópole nortenha tem grandes desigualdades no seu seio, dando como exemplo a região do Tâmega e Sousa, que tem “um dos mais baixos índices de poder de compra do país”. “É mais fácil construir uma nova ponte no Douro do que o IC 35, tão importante para que a população possa viver com qualidade de vida”, exemplificou, falando também dos graves problemas a nível de saúde, como a dificuldade de o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa em dar resposta a toda a população.
“Verdadeira reforma do sistema de justiça não interessa aos partidos do poder”
A transparência na gestão dos dinheiros públicos é outro dos rumos que o Nós Cidadãos não quer perder. Defendendo que a corrupção é um dos problemas maiores do país que adensa a desconfiança dos cidadãos relativamente ao Estado, Manuel Pinho defende o seu combate, só possível “com uma verdadeira reforma do nosso sistema de Justiça”. “Os cidadãos não conseguem avaliar com rigor o dinheiro gasto do erário público”, disse, defendendo mais transparência na gestão dos órgãos locais, como as autarquias, e nacionais. Acusou, ainda, os partidos de não levarem a cabo uma verdadeira reforma nem se oporem a esta falta de transparência por fazerem o mesmo: “Dá-lhes jeito, porque quando estiverem no poder fazem o mesmo ou pior”.
Finalmente, o quarto ponto cardeal está voltado para o Atlântico, Europa e lusofonia. É uma linha orientadora que valoriza a história do país e a sua língua, ao mesmo tempo que reconhece na nossa posição geográfica um potencial, que não tem sido bem aproveitado. “Sempre mais preocupada com as próximas eleições, a nossa classe política não tem tido uma visão estratégica do país. Portugal é um país europeu, atlântico e lusófono, o português é a quinta língua mais falada. É tempo de assumirmos essa condição, assim honrando toda a nossa história, da qual nos orgulhamos”, finalizou.
“Reviravolta” no país possível com uma “revolução de cidadania”
O comandante Joaquim Afonso, presidente do Nós Cidadãos, usou a palavra “reviravolta” para caracterizar a mudança que é preciso levar a cabo. Uma “reviravolta, que devolva às populações a esperança num futuro melhor”, referiu. O líder do Partido reiterou também a convicção de que as pessoas, especialmente os jovens, estão muito afastados da política, porque estão “saturados”. O comandante aponta o dedo à irresponsabilidade dos políticos, de que é exemplo a atual situação política de queda do governo “numa altura tão difícil para o país”. “As pessoas são gente simples, trabalhadora e honesta. Os políticos são o oposto”, caracterizou. O problema do país só se resolve com “uma revolução de cidadania” assente nos “quatro pontos cardeais” referidos por Manuel Pinho.
Mandatada por Célio Alves, esta candidatura foi apresentada pelo próprio como “um grupo de cidadãos anónimos, que aceitou dar a cara por este projeto de cidadania”. O mandatário destacou ainda o simbolismo do local da apresentação, que foi também palco do arranque da candidatura em 2015, por evocar o passado áureo das conquistas ultramarinas portugueses. Nesta viagem que termina dia 30, Célio Alves acredita que a nau capitaneada por Manuel Pinho chegará à Assembleia da República.
O Nós Jovens, estrutura que agrega a juventude do partido, esteve representada pela sua presidente, Rita Barreto, também cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Viseu. Para a jovem candidata, é crucial inverter o progressivo afastamento dos jovens em relação à política, o que se consegue aumentando a literacia política nas escolas e dando voz à juventude. “É preciso sangue novo na política para acabar com os compadrios, que são uma constante”, disse. O objetivo de trazer os jovens para a política, capazes de exigir um país com mais transparência, está, a pouco e pouco, a ser conseguido, segundo Rita Barreto.





