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Bloquistas querem memorial evocativo das vítimas da extrema direita

Uma Delegação do Bloco de Esquerda, liderada pela candidata à Câmara Municipal de Santo Tirso, Ana Isabel Silva, esteve esta sexta-feira, 21 de maio em frente aos Paços do concelho onde foi evocada a memória de Rosinda Teixeira que à precisamente 45 anos, foi “barbaramente assassinada, em S. Martinho do Campo, vítima da explosão de uma bomba, orquestrada pela extrema-direita e um grande industrial de Santo Tirso.”

Crédito de imagem Diário de Santo Tirso


Hoje, acompanhados pelo filho de Rosinda, Nélson Teixeira, os bloquistas deixaram a proposta de um memorial evocativo das vítimas de violência da extrema-direita no centro da cidade, para que a “memória não se apague.”

Nélson Teixeira

EXCERTO DE UM ARTIGO DA AUTORIA DE VALDEMAR CRUZ PARA O EXPRESSO

No Mosteiro de Roriz, às portas de Santo Tirso, as freiras assustam-se com o estrondo, ouvido num raio de 50 quilómetros. Umas boas centenas de metros mais abaixo, epicentro da explosão, no lugar de Arnozela, em São Martinho do Campo, está um drama em ebulição. Nélson, 19 anos, único dos quatro filhos de Rosinda e António Teixeira a dormir em casa, acorda com os gritos da mãe. O casal fora projetado da cama. O soalho desaba. Arrastam-se para junto da porta. A casa está a desintegrar-se. Metade do corredor já não existe. As labaredas avançam, assustadoras. O filho escuta os apelos saídos do quarto dos pais. Sente-se impotente. Em desespero, pontapeia a porta e arromba-a. Só as chamas desfazem a escuridão da noite. Arrastam-se até à porta de acesso a umas escadas em pedra. Caem no meio dos destroços. Reerguem-se. O desespero empurra-os. Dá-lhes forças insuspeitas. Nélson deixa de sentir o pai. Da mãe ouve apenas um “ai-jesus” e não sabe ainda que nunca mais em toda a sua vida lhe escutará outras palavras. O fumo sufoca. Volta a ver o pai. Está a arder. Salta das escadas para o puxar. Caem os dois entre a erva e as couves, num chão humedecido pelo relento da madrugada. Lá dentro, quando chegam socorros, já o soalho desabara por inteiro, e com ele se afogara o corpo de Rosinda Teixeira, 40 anos.

O que restou da Casa de Rosinha Teixeira

Naquela sexta-feira, 21 de maio de 1976, acabava de ser cometido um dos mais brutais crimes perpetrados pela rede bombista de extrema-direita que durante os anos de 1975 e 1976 fez da contrarrevolução um pretexto para espalhar o caos e o terror, em particular no norte do país.

Rosinda Teixeira

Circulou dinheiro a rodos, ativaram-se múltiplas cumplicidades ao mais alto nível do poder político, militar e religioso. Pelo caminho, em nome da instauração da democracia, assassinava-se, espalhavam-se bombas, fazia-se ir pelos ares livrarias, sedes de sindicatos e de partidos, cooperativas culturais, casas e viaturas de cidadãos identificados com a esquerda.

Alimentava-se o contrabando de diamantes e outras preciosidades, retiravam-se milhões dos bancos portugueses para os colocar no estrangeiro. Destruíam-se bens públicos, roubava-se, faziam-se negócios inconfessáveis com gente inqualificável. Em nome da democracia, a única lei era a exploração do ódio e a manipulação das consciências.

Terreno onde esteve a casa de Rosinda Teixeira, atualmente Parque de estacionamento de um estabelecimento de restauração

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