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Paços de Ferreira: Junta de Raimonda assinalou centenário do nascimento do Pe. Alexandrino Brochado

Embora de forma singela, devido às medidas de prevenção, a Junta de Freguesia de Raimonda, no concelho de Paços de Ferreira, fez questão de assinalar o centenário do nascimento do Padre Alexandrino Brochado.

A cerimónia contou as presenças de Paulo Ferreira, vice-presidente da autarquia Pacense, Jocelino Moreira e restante executivo, da Junta de Freguesia local, Rui Sousa, presidente da Assembleia de freguesia, bem como familiares do saudoso Padre Alexandrino Brochado.

O momento teve lugar ao início da tarde desta quinta-feira, 8 de outubro, l sendo descerrada uma placa com a inscrição ” Honra e gratidão” junto ao busto do célebre raimondense, onde também foi depositada uma linda coroa de flores.

Jocelino Moreira, começou por dizer que é um orgulho ” ser de uma freguesia onde nasceu tão distinta personalidade”. O autarca raimondense salientou que o Padre Brochado, “foi a maior figura da freguesia no século XX.” Jocelino Moreira lembrou ainda o legado deixado na “ajuda aos mais necessitados da freguesia” e o orgulho que “o Padre Brochado tinha em dizer que era de Raimonda”.

Por seu turno, o vice-presidente do município de Paços de Ferreira, Paulo Ferreira, começou por lembrar que o Padre Brochado foi uma referência não só na freguesia de Raimonda, como em todo o concelho. “É um orgulho e um privilégio ter contado durante muitos anos com uma figura como o Padre Brochado”. “Esta homenagem que a junta de freguesia decidiu e bem fazer é o prolongar de um exemplo de um cidadão que deu muito ao concelho e ao país” concluiu o vice-presidente da Capital do móvel.

Monsenhor Alexandrino Alves Ferreira Brochado (São Pedro da Raimonda, Paços de Ferreira 8 de outubro de 1920

Biografia e Família

Alexandrino Brochado nasceu na Casa de Baixo, São Pedro da Raimonda, sendo o mais velho de sete irmãos, filhos e filhas de Joaquim Alves Ferreira e Alcina Ribeiro Pacheco Brochado. Descendia de famílias dos concelhos de Amarante e Paços de Ferreira, Douro litoral, para as quais a religião e a doutrina da Igreja Católica ocupavam um papel central no quotidiano e formação.

Alexandrino Brochado viveu a sua infância na quinta de seus pais, da qual mais tarde seria proprietário. Estudou depois no Seminário de Vilar na cidade do Porto e foi ordenado presbítero a 17 de Setembro de 1944. Foi professor de Religião e Moral no Liceu Alexandre Herculano no Porto e secretário particular de D. Agostinho de Jesus e Sousa, Bispo do Porto entre 1942 e 1952. Foi também fundador da Cáritas Portuguesa e, a partir de 1947, presidente da Cáritas Diocesana do Porto, cargo que ocupava emeritamente à data da sua morte. Em 1953 foi nomeado Reitor da Capela das Almas na Rua de Santa Catarina na baixa do Porto, emblemático lugar de culto da cidade ao qual dedicou grande parte da sua vida.

Para além destas actividades, desenvolveu outras iniciativas de cariz social. De entre essas destaca-se a construção de um conjunto de habitações unifamiliares destinadas a famílias com poucos recursos na Rua de Parada em Raimonda, e a organização e implementação de um ambicioso projecto de apoio a crianças austríacas afectadas pela Segunda Guerra Mundial. Após o final da guerra e ao abrigo deste projeto, 6000 crianças austríacas encontraram acolhimento temporário em famílias e organizações Portuguesas. Na sua grande maioria essas crianças voltaram ao seu país de origem. Algumas delas foram educadas e viveram toda a sua vida em Portugal. Por este trabalho a República da Austria condecorou-o com a Grã-Cruz de Cavaleiro de Primeira Classe em 1968. Foi agraciado com a distinção de Monsenhor pelo Papa Bento XVI. Faleceu no Porto a 20 de Maio de 2016 com 95 anos.

Condecorações e distinções

  • Grã-Cruz de Cavaleiro de Primeira Classe da República da Austria em 1968.
  • Medalha de Mérito Municipal Grau Ouro do Município de Paços de Ferreira.
  • Medalha de Mérito Municipal Grau Prata pela Câmara Municipal do Porto.
  • Medalha de Generosidade pela Associação dos Bombeiros Voluntários do Porto.

Recebeu também a homenagem de outras instituições entre as quais a Cáritas Portuguesa, a Associação Juvenil Incentivo à Raimonda, e as Juntas de Freguesia de Paços de Ferreira e de Raimonda que atribuíram o seu nome a vias daquelas localidades.

Obras publicadas

Alexandrino Brochado escreveu numerosos artigos em revistas e jornais, e publicou vários livros de entre os quais:

  • Dimensão Espiritual de um Poeta : Ensaio Literário sobre António Nobre. Lisboa, 1963.
  • Como eu vi homens e factos. Santo Tirso : Fundação António Cupertino de Miranda, 1971.
  • Sim e não a muita coisa. Porto, 1972.
  • Capela das Almas : Uma joia da azulejaria portuguesa. Porto : Telos, 1985.
  • Porto e suas igrejas azulejadas. Porto : Banco Comercial Português, 1990.
  • Santa Catarina : história de uma rua. Porto : Telos, 1998.
  • D. António Augusto de Castro Meireles : filho ilustre de Lousada. Lousada : Câmara Municipal de Lousada, 1990.
  • Pinceladas. Porto : Telos, 2003
  • Sintomas. Porto : IACSF, 2004.
  • Palavras e sonhos. Porto : IASCSF, 2005.
  • Pontos de Vista. Porto : IRCSF, 2007.
  • As minhas palavras. Porto : IRCSF, 2009.
  • As minhas memórias. Porto : Fundação Voz Portucalense, 2010.
  • Categorias Humanas e Valores Cristãos. Porto : Fundação Voz Portucalense, 2013.
  • Retalhos do meu pensamento. Porto : Fundação Voz Portucalense, 2015.[5]

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