À conversa com...
À conversa com… Tatiana Costa

By Luis F. Maia

Fotos: Nuno Pereira

No braço esquerdo ostenta orgulhosa a braçadeira de capitão. Defende o simbolo que representa com garra, dedicação e determinação. Tatiana Costa da equipa junior de futsal feminino do Clube Desportivo das Aves é a nossa conviada.

Olá Tatiana, em primeiro lugar queria agradecer a tua disponibilidade para esta entrevista e iniciar a nossa conversa perguntando-te, como surgiu o gosto pelo Futsal e com que idade começas a praticar?

Olá! Agradeço desde já o convite. O meu gosto pelo futsal surge de um gosto desde muito nova pelo desporto no geral. Aos 13 anos comecei a praticar o desporto que me era mais apelativo que era o futsal.

Ultimamente, o Futsal Feminino português tem tido uma grande projeção nacional e internacional, como vês o estado actual do Futsal Feminino Português ?

Infelizmente o futsal é um desporto que não é devidamente valorizado então sendo feminino nem se fala. Porém, vê-se cada vez mais raparigas interessadas, com qualidade e inteligência à procura e a investirem no futsal o que acaba sempre por mudar e alargar a visão a muitas pessoas de que o futsal também é para mulheres.

Conta-nos um pouco do teu percurso desportivo e como é que chegas ao CD Aves?

Como já referi anteriormente o meu percurso começou aos 13 anos numa equipa sénior de concelhio,a União Desportiva S. Mamede. Entretanto resolvi mudar e procurar uma equipa do meu escalão e joguei durante 2 anos futebol na A.ssociação de  Moradores do  Complexo Habitacionl de Ringe em Vila das Aves, coletividade que admiro e aconselho a quem gosta de futebol, mas sabendo que o Aves iria iniciar uma equipa de futsal feminino apesar de sénior não poderia deixar de tentar a minha sorte. Foi uma decisão difícil e drástica mas por outro lado muito acertiva.

Como foste Recebida?

Fui recebida da melhor forma possível, não tenho nada a apontar a um único membro pertencente ao plantel, e respectiva equipa técnica, do ano passado. Investiram em mim e deram-me a conhecer mais sobre o clube.

Como defines o teu actual clube?

Um clube realmente enorme, uns adeptos realmente fantásticos e poder, atualmente, ter a braçadeira de capitã no braço é algo inexplicável.

Ser capitã do Desportivo das Aves aumenta a tua responsabilidade?

Naturalmente aumenta a responsabilidade mas é um orgulho para mim poder ser capitã não só pelo clube mas também pelo incrível plantel que têm as Juniores. Sinto que realmente há uma forte amizade dentro daquele balneário e uma união enquanto equipa.

Como colega de equipa como te relacionas com as restantes atletas?

Tal como fizeram comigo, eu queria que elas entrassem naquele pavilhão e se sentissem em casa desde o primeiro dia que lá foram. Recebi-as de braços abertos e até agora sempre as tratei como se fossem umas irmãs para mim. Criamos uma grande amizade e eu sempre as tentei ajudar quer dentro, quer fora de campo, em tudo.

Como vês actualmente a prestação da tua equipa?

Neste momento a minha equipa encontra-se num patamar já antes visto para um escalão de formação, pelo menos por mim. Estámos neste momento na 9a vitória consecutiva com melhor ataque e, mesmo faltando dois jogos para o término do campeonato somos oficialmente campeãs de série após a nossa vitória por 2-1 frente ao Aliados F. C. Lordelo. Claramente há jogos menos bons, mais desmotivadores, há muita coisa a melhorar mas para o primeiro ano juntas, quem nos via e quem nos vê!

Tens algumas referências no Futsal que sirvam de modelo e inspiração no que ambicionas ser como atleta e no futsal?

Neste momento não. Tenho-me focado e preocupado mais comigo e com a equipa. Mas, apesar de não ser no futsal, tenho uma grande admiração pela Alex Morgan. “O que te faz cair, com o tempo te fará mais forte.”

 Como te caracterizas como Jogadora e quais as tuas maiores qualidades?

Caracterizo-me como uma jogadora que ainda tem imenso a aprender e que está disponível a isso. A titularidade, ou não, os elogios, ou o contrário, a mim não me dizem nada. Eu sei o que sou e o meu lugar quanto ao mundo do Futsal e sei que daqui a uns anos, com este empenho, o meu lugar será diferente. “As críticas não me abalam, os elogios não me iludem. Sou o que sou, não o que dizem”. A minha maior qualidade, a meu ver, é ser inteligente. Gosto de ler o jogo, ler as jogadoras e entrar de cabeça fria lá dentro. Não sou uma jogadora tecnicista, prefiro contruir jogadas que a um ou dois toques fazem o futsal valer a pena.

 Quais os teus objetivos pessoais como atleta?

Irei dar sempre o meu melhor, quer nos treinos, quer nos jogos, quer na vida e lutar sempre por chegar mais e mais longe. Depois é ver o que o futuro nos reserva e aceitar as coisas como são.

Entrando agora no campo pessoal, como é a Tatiana fora do Pavilhão?

Ahah, a Tatiana fora de campo.. Bom, a Tatiana fora de campo vai dar um pouco de encontro ao que sou dentro. Luto sempre até me porem um travão, se começo algo eu acabo, tento sempre ser para os outros o que eles são para mim e dou o melhor de mim em tudo o que me proporcionam.

Como a vida não é só “bola”também apostas na tua formação académica?

Neste momento estou no meu último ano de formação académica e tenho plena consciência de que o meu curso me poderá abrir muitas portas portanto aposto sempre nos estudos e tento não me desleixar tendo em conta que será o meu futuro.

Sendo a “bola” um mundo mais de homens, alguma vez ouviste algo menos positivo por gostares de jogar?Por exemplo na escola chama-te “maria-rapaz?

Quem me conhece sabe que sempre fui mais ligada aos rapazes que às raparigas. Sim, chamavam-me Maria rapaz por gostar do “desporto dos homens”. Hoje é o dia que me orgulho e calo essas pessoas com uma braçadeira no braço.

É difícil conciliar a vida pessoal com a vida de atleta? De que é que abdicas?

Por vezes sim. Abdico de muita coisa a começar na minha família e amigos e acabar na minha saúde. Tendo em conta que os jogos são sempre aos fins de semana às vezes tenho q abdicar de estar com a minha família ou amigos, e o facto dos treinos serem à noite e ter q me levantar diariamente às 6h limita-me o sono e por vezes tempo de estudo, porém, tudo se torna mais fácil quando se organiza bem o tempo e nada é impossível quando se gosta mesmo do que se faz.

Num balneário há sempre histórias caricatas e engraçadas. Queres contar-nos uma dessas situações?

No balneário fizemos uma espécie de “praxe” às jogadoras. Cada uma fazia o pino e ficava sem calções ahahah

Convido-te agora a deixar uma mensagem  aos adeptos e sócios do teu atual clube?

Aos que sempre estiveram lá um grande obrigada! Aos que sempre apoiaram e apoiam, foram acreditando e dando força à equipa, obrigada.
Todas nós estamos imensamente gratas e apelamos ao vosso apoio e à vossa presença nas nossas últimas jornadas, e na próxima fase pois já somos campeãs de série. Parecendo que não o vosso apoio tem sido importante para lutarmos em todos os jogos, tem sido um motivo para não desistirmos, uma força extra.
Assistam, apoiem e vivam este sonho conosco!
É DESPORTIVO, É FESTIVAL

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