Sociedade
Paços de Ferreira: Utentes criticam ausência de médicos de família

Os três médicos da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados Nova Esperança, em Paços de Ferreira, estão, em simultâneo, de atestado médico ou de férias. As consultas, dizem os utentes, são constantemente desmarcadas e adiadas com a mesma resposta – “não há médico” -, deixando-os sem acesso a exames e a baixas médicas.

O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Tâmega III – Vale do Sousa Norte, responsável por aquela unidade, confirma a ausência dos médicos, mas garante que os utentes estão a ter o atendimento devido.

“SÓ ME DIZEM QUE NÃO HÁ MÉDICO NEM MÉDICO DE SUBSTITUIÇÃO. PRECISO DE FAZER ECOGRAFIAS E NÃO TENHO QUEM PASSE O P1”

Maria Bessa teve consulta marcada em Maio. O médico falhou essa e todas as que teve marcadas a seguir. “Ainda não mostrei os exames e preciso de fazer análises e vigiar uns nódulos e não tenho quem me passe os exames. O meu marido está na mesma situação. Há consultas de recurso ao final do dia e ao fim-de-semana, mas não passam exames, só medicação”, sustenta, queixando-se ainda da falta de condições da sala de espera da unidade Nova Esperança, onde predominam as cadeiras partidas ou com rasgões. “Estamos a ser menosprezados em relação às outras unidades de saúde do Centro de Saúde de Paços de Ferreira”, diz.

Também Filipa Bessa, grávida de sete meses, viu as consultas desmarcadas duas vezes nas últimas semanas. “A minha última consulta foi em Agosto quando devia ser vista todos os meses”, lamenta. “Só me dizem que não há médico nem médico de substituição. Preciso de fazer ecografias e não tenho quem passe o P1. Tenho vindo cá todos os dias”, descreve.

“Preciso de uma declaração para ir a uma junta médica e não tenho quem ma passe. Vim cá todos os dias desta semana. Não deviam estar os três ausentes ou devia de haver alguém a substitui-los”, critica também Rosa Silva, outra utente. Maria Carneiro é da mesma opinião. “Ando aqui há quatro semanas a tentar pedir exames para mim e para o meu marido e dizem sempre que não há médico. Parece brincadeira e não se pode brincar com a saúde”, refere. Na mesma situação está João Almeida: “Estou doente e a faltar ao trabalho há cinco dias e não tenho quem me passe a baixa médica”, afirmava no final desta semana.

ACOMPANHAMENTO A GRUPOS VULNERÁVEIS (GRÁVIDAS E CRIANÇAS), BAIXAS, MEDICAÇÃO CRÓNICA E RELATÓRIOS MÉDICOS SEMPRE ESTEVE GARANTIDO, DIZ ACES

O ACES Tâmega III – Vale do Sousa Norte confirma que há dois médicos desta unidade ausentes por incapacidade temporária e um médico ausente por férias, “sendo que se espera o regresso de um profissional no dia 24 de Outubro e outro no dia 25 de Outubro”. “O terceiro elemento médico da equipa não tem data prevista para o seu regresso ao serviço. Naturalmente que não é comum estas situações acontecerem em simultâneo nas Unidades Funcionais, trata-se de uma ocorrência fortuita”, garante Hugo Lopes, director do ACES.

O Agrupamento diz ainda que foram sempre asseguradas “todas as situações prementes, pela colaboração de outras Unidades Funcionais do ACES, e de profissionais especificamente mobilizados por período determinados, garantindo nomeadamente o acompanhamento a grupos vulneráveis (grávidas e crianças), baixas, medicação crónica e relatórios médicos”.

“Os atendimentos de doença aguda têm sido assegurados no SASU através do atendimento complementar e sempre que se verifica necessário os médicos do SASU prescrevem exames, pelo que situações desse tipo também se encontram asseguradas”, argumenta Hugo Lopes, acrescentando que há consultas de saúde de adultos que podem sofrer adiamentos devido às limitações mas que são “situações pontuais”.

O ACES acredita que o serviço prestado ficará já normalizado esta semana, com o regresso destes dois médicos e com um médico a fazer intersubstituição na UCSP Nova Esperança já a partir desta segunda-feira.

Fonte; Jornal Verdadeiro olhar

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