À conversa com...
À conversa com… Raul Pinheiro – Treinador da A.R. Negrelos

 

 

 

 

Desta vez fomos conhecer  Raul Pinheiro, técnico da equipa  Sénior de futsal da Associação Recreativa de Negrelos.

Tem 41 anos de idade, grande parte dedicados ao futebol e ao futsal.

Como jogador fez a sua formação no Clube Desportivo das Aves durante 10 anos, passando depois duas temporadas na equipa principal avenses na então Liga de Honra. No futebol representou ainda São Martinho, Cinfães e Barrosas.

No futsal como atleta, alinhou no Desportivo das Aves, fazendo parte da primeira equipa do clube na modalidade é onde conseguiu quatro subidas de divisão. Passou ainda pela ACR Lordelo e pelo AST.

Como treinador orientou os petizes da AMCH Ringe durante dois anos, foi adjunto no AST e técnico principal dos juniores e dos seniores do Aves, com duas épocas em cada escalão e pela segunda vez assume o comando da AR Negrelos.

Como é o Raul longe de um campo de futebol ?

Uma pessoa calma. Com dois filhos e uma mulher que me apoiam incondicionalmente. Sou muito caseiro e dedicado à familia, mas acima de tudo amigo dos meus amigos.

E o Raul treinador ?

Exigente, mas procurando que os jogadores me vejam mais como um amigo do que como treinador. Tento manter com eles uma relação de amizade forte, pois acho que a união do grupo e a amizade, é o mais importante e fazem com que uma equipa ande para a frente.

Podemos dizer que tanto o futebol e o futsal fazem parte integrante da sua vida. Como é que tudo começou?

Tudo começou muito cedo, devido ao facto de ter um pai (Adilio Pinheiro) que foi muitos anos jogador e treinador do Desportivo das Aves. E foi assim que o gosto surgiu.

O facto de ter um pai que foi uma das estrelas do Aves exigiu mais de si ?

Não deveria ter sido assim, mas de facto aconteceu. Setia-me sempre na obrigação de fazer mais que os outros, mas nunca me senti prejudicado nem benificiado pelo facto de ser filho do treinador.

Relativamente à ultima temporada, na AR Negrelos, como foi que correu ?

Cheguei numa altura complicada, começando a época muito tarde, com os jogadores que tinhamos, que acabaram por ser uns herois conseguindo cumprir o objetivo traçado. Considero que foi uma época dificil, onde nos faltou planeamento. Os resultados não apareciam, e foi como uma bola de neve, foi crescendo o desanimo, a tristeza, mas fui sempre dizendo que isto não é como começa, é como acaba e no fim acabamos por ser premiados com a manutenção no derradeiro jogo. Soube como nunca e foi uma das maiores alegrias que tive na vida como desportista.

Reconhece que foi uma época um pouco atribulada?

Acima de tudo considero que serve para aprendermos com os erros que cometemos. Foi planeada muito tarde, com as coisas a serem resolvidas à utima da hora. Mas, já sabia que ia ser assim e não me arrependo em nada de ter aceite o convite da AR Negrelos. Certamente são erros com os quais aprendemos e que, não os iremos cometer no futuro. No entanto gostaria de frizar que fiquei com um orgulho enorme nestes atletas. No inicio, disse ao nosso Diretor, Carlos Martins que o mais importante não era ter craques, era ter homens, que sintam orguho no que fazem e no emblema que envergam. E foi aí que alguma coisa falhou. Com alguns jogadores a não saberem o significado de vestirem a camisola da AR e não entenderem que estão não só, a representar esta associação, mas também a Vila e o concelho, e isso representa muito e tem um peso enorme.

Quais são os objetivos para a próxima época?

Primeiro de tudo planear bem as coisas com os pés bem acentes na terra. Saber com quem podemos contar. É uma competição que exige um grande esforço financeiro, onde é preciso muito dinheiro para inscrições, equipamentos, deslocações, pavilhão, seguro para o caso de lesões dos jogadores, para a GNR, só para ter uma ideia são precisos alguns milhares de euros.

Para alguém que esteja a iniciar a carreira de treinador que conselho lhe daria?

Essencialmente que seja amigo dos jogadores. Quando conhecemos alguem a nivel do desporto criamos amizades que normalmente ficam para a vida,e é isso que devemos procurar. Ou seja ser exigentes mas preservar amizades. Devemos ir para além do desporto, devemo-nos preocupar com os atletas, procurar saber se está sempre tudo bem com eles, pois assim vão confiar em nós e quando forem competir vão dar tudo. O conselho é este, sejam amigos dos atletas.

É facil conciliar a carreira de treinador, com atitividade profissional e a vida familiar?

Não é nada facil. Pessoalmente tenho uma esposa que me apoia muito e tem sido incansavel.  Não é facil, chegar a casa e ter de me aturar porque perdi ou correu mal.

Um dos jogadores da AR Negrelos cumpriu este ano a derradeira época como jogador, depois de mais de um dezena de anos a defender este simbolo. É um exemplo nos dias que correm?

O Hélder Pereira é um exemplo dentro e fora do campo. Em muitos anos de futebol e futsal vi poucos capitães de equipa como ele. Vi poucos a puxar, a lutar, a ser amigo e principalmente a dar tudo pela equipa como ele. Este ano jogou muito e em grande nivel. Principalmente na parte final onde fez jogos inacreditaveis e no ultimo jogo, o decisivo fez quarenta minutos, vinte deles de grande categoria como poucas vezes vi em futsal. Eu se tivesse quinze ou desasseis anos era nele que me inspirava, mesmo agora como treinador há coisas em que eu gostaria de ser como o Hélder. Convidei-o para integrar a estrutura, pode aparecer quando quiser a portas estão abertas e a sua ajuda será sempre bem vinda. No entanto a sua vida profissional e familiar não o premite, mas vamos esperar que um dia volte a esta casa onde é um simbolo e onde certamente será sempre bem recebido.

Convido-o agora a deixar uma mensagem?

Para os negrelenses o que peço é apoio. Somos a unica equipa da vila a jogar futsal e precisamos do apoio de todos. Mesmo a jogar em nossa casa, tivemos sempre menos apoio que os adversários, não sei se é pelo horario, uma situação que vamos rever, mas a verdade é que temos muito pouco apoio e naturalmente ele é necessário. Apareçam o Pavilhão tem boas condições e é mais facil jogar com publico afeto a nossa equipa e é mais uma ajuda importante.

Para os meus jogadores, que começem já a preparar a próxima época, disfrutem das férias que bem merecem, mas começem já a pensar, pois vai ser outra guerra, uma época dura e desgastante.

Quero também agradecer aos diretores Carlos Martins e Lininho Pinto, bem como ao meu adjunto Marcelo. Foram três pessoas importantissimas, nunca me abandonaram, sempre que eu precisei, sempre que estive mal eles estavam lá na retaguarda para me apoiar. São pessoas que merecem tudo de bom, o Marcelo foi comigo a pé ao São Bento agradecer a manutenção, acreditou sempre desde a primeira hora. O Lininho foi incansavél, sempre que nós precisamos ele está lá e precisavamos de mais pessoas como ele. O Carlos Martins é simplesmente a pessoa que mantém o futsal ativo na associação, sem ele certamente que já não haveria equipa e isso diz tudo sobre a sua importância.

Finalmente também uma palavra para o nosso principal patrocinador, o Senhor Hugo Brites da Mystical Genaration, pois sem o apoio desta empresa não seria possivel competirmos, bem como sem o apoio dos restantes patrocinadores.

Para terminar, também um agradecimento ao Jornal o Cordovense pela divugação do desporto do concelho e principalmente da nossa equipa.

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