À conversa com...
À conversa com… Jorge Castro

Tem 45 anos e é um dos mais experientes treinadores do Campeonato Concelhio da Associação de Futebol Amador de Santo Tirso. O seu vasto curriculum, inclui passagens pelo comando técnico da Associação Recreativa de Negrelos, A.P. Pombinhas, Mourinhense, Sporting Clube de Portugal-Núcleo de Vila das Aves e AMCH Ringe. Atualmente é coordenador e treinador da Escola de Futebol os Castrinhos e técnico principal da Associação Desportiva de Refojos. Jorge Castro é o nosso convidado do Espaço “À conversa com…”

Como é o Jorge Castro longe de um campo de futebol?

O Jorge longe do campo…, gosta de estar com a família, mas não se desliga muito do desporto em geral desde de muito jovem o gosto pelo desporto esteve sempre presente. Mas sou uma pessoa pacifica e que gosta de apreciar e aprender todos os dias qualquer coisa. Mas tenho uma esposa e filha que me dão todo o apoio para desenvolver o que mais gosto que é o futebol, um bom suporte familiar é a base para tudo em geral.

E o Jorge treinador?

O Jorge treinador é “complicado”… Como tive formação desportiva desde muito cedo e como primeiro treinador tive o meu pai que sempre me acompanhou no futebol formação aprendi muitos valores humanos e desportivos. Enquanto o meu pai foi jogador (no Canada)  eu sempre estive presente no balneário. Gostava de ouvir o treinador, a tática e tudo o que envolvia o jogo em si…Hoje após a minha experiência como jogador e treinador estou mais maduro e uma coisa que sempre fiz foi pôr-me no lugar do jogador entender cada cabeça.., gosto de pontualidade, de respeito mutuo, assiduidade nos treinos, empenho e muita humildade. Sou exigente porque também exijo de mim, não posso também esquecer de falar num senhor que me abriu as portas para o futebol em Portugal o senhor Adílio Pinheiro o meu obrigado. A minha passagem pelo Desp. Aves ao Sporting de Portugal e a minha passagem por diversos clubes na regional.

Podemos dizer que o futebol já faz parte da sua vida. Como começou o seu interesse pela modalidade?

Ainda estava na barriga da minha mãe e já jogava à bola. A minha mãe levou uma bolada grávida de mim. Somos uma família ligada ao desporto.

Já conta com várias temporadas ligado ao Campeonato Concelhio, tendo em conta que cada vez vão desistindo mais clubes, que futuro perspectiva para esta prova?

O campeonato, de concelhio já tem pouco…já é mais uma “regional” . Temos boas equipas a praticar futebol com 2 treinos por semana, o que antigamente era juntar amigos ao sábado e jogar já é mais competitivo e algo mais sério. Quanto ao facto de haver menos equipas é normal, a crise não ajudou, cada vez há menos patrocínios e os clubes tem que fazer um grande esforço para conseguir honrar as suas despesas. Quanto ao futuro, acho que é para continuar e melhorar em todos os sentidos que envolve o jogo em si.(todos os envolventes).

Para alguém que esteja a iniciar a sua carreira como treinador de futebol, que conselhos lhe daria?

Conselhos? Ter muita paciência, ter tempo para dedicar ao trabalho de treinador, que como sabem não é só ir ao treino. É preparar bem os treinos porque o jogador gosta de ver organização no método de treino “treinas bem jogas bem, treinas mal, jogas mal…” como tudo na vida. E muita humildade e respeito por todos.

Como está a ser a experiência no comando técnico da AD Refojos?

A experiência na A.D.R não poderia estar a correr melhor. Foi um projeto que me foi apresentado pelo presidente Fernandino Teixeira, com gente honesta e ambiciosa que querem promover o lado positivo do futebol e o desporto em geral, no qual me enquadro e agradeço a oportunidade que me deram para fazer parte do projeto.

Qual o primeiro impacto aquando da sua chegada?

O primeiro impacto com é normal foi um pouco frio. Poucos me conheciam, faço 17 kms para cada lado, todos os jogadores eram praticamente de Santo Tirso para o lado do Porto, iniciamos a época a 5/09/2017 com muita gente mesmo a treinar, foi logo uma mudança naquele clube. Cheguei a ter 32 jogadores num treino…muito bom.

Qual o ambiente que encontrou e como foi recebido?

Encontrei um ambiente saudável e de alguma “desconfiança”nos jogadores que é normal, a associação queria uma mudança e repor o nome do clube novamente no seu devido lugar, em termos de respeito e de competitividade como teve no passado. Fui muito bem recebido por todos foi muito fácil adaptar-me aquela associação, porque tive desde o primeiro minuto o apoio de todos, tenho todas as condições de trabalho, tenho uma direção sempre presente, uma equipa técnica empenhada e um plantel fantástico. Mas o principal é ter uma grande união entre todos e onde todos se sentem úteis.

Como define o clube neste momento e qual o futuro que perspectiva?

A A.D.R neste momento e sou suspeito para falar mas pelos comentários e pela época desportiva, penso que já alcançou a mudança que ambicionava e o respeito de todos dentro e fora de campo. No futuro espero ver uma A.D.R sempre com os pés bem assentes no chão e ir pouco a pouco criando condições para lutar e conquistar este campeonato num futuro breve. As infraestruturas temos,falta o resto da mudança que vamos conseguir dia após dia de trabalho árduo e que já é notório, os jogadores querer jogar na A.D.R coisa que num passado recente nem era opção na cabeça de muitos jogadores.

Como todos os clubes, naturalmente a AD Refojos também tem alguns condicionalismos. Onde acha que podem e devem melhorar?

Melhoramentos?? Se tudo correr bem, ter o piso sintético, quanto ao resto, melhorar podemos sempre todos melhorar mas neste caso já temos muito neste clube que outros clubes não tem. Jogar num estádio próprio no concelhio ter uma massa associativa que acompanha como há muito não o fazia dá um enorme prazer e vontade de trabalhar neste clube, muito carinho humano.

Sendo que é um dos treinadores com mais experiencia nesta prova, naturalmente tem motivação para ganhar títulos com o Refojos?

É claro que qualquer treinador gosta de ganhar títulos e o meu trabalho na A.D.R é sempre com ambição de conquista, também sei da realidade e das limitações que temos mas este projeto não se resume à época 2017/2018 é um projeto com cabeça, tronco e membros. Primeiros temos que criar os alicerces, para depois suportar as telhas e isso leva o seu tempo, mas estamos no bom caminho e a pressa não ajuda, tudo tem o seu percurso normal, este é o ano zero. Mas penso que dentro de 3,4 épocas este clube vai conquistar títulos seguramente mas podemos fazer uma gracinha antes.

Quem são, em sua opinião os principais candidatos à conquista do título concelhio?

Os principais candidatos à conquista do titulo são praticamente sempre os mesmos pelas fortes estruturas que tem ao longo dos anos no concelhio mas prevejo um campeonato difícil até ao fim porque o Refojos vai fazer a vida difícil a todos eles.

Qual foi o melhor jogador que já treinou?.

Melhor jogador que treinei… foram vários, não quer dizer que foi a só a nível técnico mas como pessoas o que valorizo muito também, só para dizer alguns exemplos, Vitor Hugo que treinei nas Pombinhas e no Ringe, sempre um HOMEM, o meu irmão Dionísio que esta época joga no Refojos e um que joguei contra ele e nunca pensei ser seu treinador o nosso guarda-redes Casquilha, 43 anos mas sempre no limite e com ambição de vencer até nos treinos…”maluco mesmo” no bom sentido, mas tenho outros claro, a quem peço desculpa mas eles sabem quem são…tenho boa relação com muitos dos que treinei ficamos sempre amigos porque sempre fui transparente com todos é a base da confiança mutua.

Para além do cargo de treinador de equipas seniores o Jorge também tem experiência como técnico de camadas jovens . Qual é a diferença?

Futebol formação, pois quem gosta de futebol tem que passar por todas as fases e etapas na vida. Passar os valores do desporto às crianças ensinar a aceitar a derrota, ensinar a respeitar na vitoria. Parece fácil mas é muito difícil, além de ensinar a praticar a modalidade. A diferença das crianças para os adultos é fácil, à criança ensinas, aos adultos pões em pratica o que pretendes. À criança pedes, ao adulto tens que exigir, são patamares diferentes mas cada um tem o seu grau de dificuldade.

E a Escola de Futebol “Os Castrinhos”, é o concretizar de um sonho?

Os Castrinhos…Sim é um sonho do meu pai, eu era muito jovem e o meu pai já dizia que um dia havia de ter um campo para ter uma escolinha de futebol, vivíamos no Canada e esse sonho concretizou-se. Temos o nosso sintético e a nossa escolinha de futebol, somos 4 filhos 3 rapazes e uma rapariga. A escolinha iniciou com o meu irmão Paulo e os seus dois filhos como jogadores e mais 3 colegas em 2011 e desde daí nunca mais parou e neste momento disputamos o campeonato concelhio de futsal de Santo Tirso em 3 escalões, infantis, iniciados e juniores no qual nos orgulhamos muito…tudo com o suor do meu pai. Olhe os castrinhos dava outra entrevista.

Tendo em conta a sua atividade profissional e também a sua vida pessoal, é fácil conciliar com a carreira de treinador?

Gestão do meu tempo…Não sobra muito, mas tento conciliar tudo e programar tudo muito bem e como disse anteriormente o suporte familiar é muito importante para me dedicar ao trabalho. Trabalho na mesma empresa há 19 anos, ao futebol e à família vai-se mudando o chip a cada momento do dia, não misturar para não falhar e depois, quem anda por gosto não cansa…

Não podemos terminar sem lhe perguntar pelo atleta da nossa freguesia que tem actualmente ao seu dispor. Como é o Ricardo Ribeiro?

O atleta Ribeiro… É um homem e um atleta dedicado e humilde, que ajuda com a sua experiência dentro e fora de campo. Temos um misto de juventude com jogadores mais maduros que mostram a raça e vontade de vencer aos mais jovens e o Ribeiro também é um desses lideres.

Convido-o agora a deixar alguma mensagem a todos aqueles que estejam a ler estas suas palavras. Bem como aos adeptos do seu atual clube.

Aos nossos adeptos e massa associativa, não poderia estar mais contente com todos é um enorme prazer sentir o apoio deles quer jogue em casa ou fora, voltaram a sentir alegria e vontade de nos acompanhar nesta caminhada e nós só temos agradecer e tentar em cada jogo l oferecer um bom jogo e se possível uma vitória, mas nas derrotas nunca fomos abandonados o que é muito importante para este grupo todo. Os nosso muito obrigado sinto-me da casa como se cá tivesse sempre pertencido. Obrigado pela oportunidade… Bem haja a todos…