FREGUESIA DE MONTE CÓRDOVA
Capela de São Gonçalo

By: Luis Ribeiro

A freguesia de Monte Córdova mantém vivo ao longo dos séculos o culto pelas manifestações, quer sagradas quer profanas. Sendo uma freguesia com forte tradição religiosas, anualmente organizam-se romarias em honra dos seus santos.

Durante as celebrações festivas, para além das  procissões, as quais concretizam um dos momentos mais sublimes e solenes da cerimónia religiosa, existem momentos de muita animação e convívio, onde não falta o fogo de artifício,as fanfarras, bandas de música,  doces tradicionais e os habituais petiscos, não esquecendo o saboroso e bom vinho verde da região.

No fim de semana do mês de Maio, realiza-se uma festa em honra de S.Gonçalo .

A festa realiza-se no lugar da Costa, em Cortinhas, sitio este onde existe uma capela  setecentista em granito construida em honra de S.Gonçalo.

Reza a história que S. Gonçalo nasceu na freguesia de Tagilde, em Vizela. Conhecido como um rapaz muito malandro pois, quando os jovens da sua idade iam à fonte, o jovem Gonçalo partia-lhes os cântaros com o seu cajado. Esses jovens faziam queixa aos pais de Gonçalo. Então, Gonçalo, pegava nos cacos, juntava-os, soprava-lhes, e assim ficavam de novo direitos. Assim como este, outros milagres são relatados pelos seus conterrâneos. Para além destes, diz-se que, certo dia, os pais de S. Gonçalo foram a uma festa e disseram-lhe:

– Fica aqui em casa, pois temos o milho estendido na eira e tens que afugentar

os pássaros para que não o comam.

Dito isto, os pais saíram mas, S. Gonçalo, farto de estar em casa, chamou todos os pássaros e prendeu-os num alpendre, indo também ele para a festa.

Quando seus pais viram que o filho não cumprira as ordens dadas, ficaram muito zangados e interpelaram-no, dizendo:

-Não te dissemos para ficares em casa, para não deixares os pássaros comerem o

nosso milho?

  1. Gonçalo respondeu:

– Mãe, eu chamei todos os passarinhos e prendi-os no alpendre.

Quando chegaram a casa o pai disse-lhe:

– Filho, apanha os pássaros mais gordinhos para os matarmos.

-Não pai, senão para a próxima eles não virão.

Já adulto e ordenado padre, S. Gonçalo quis construir uma igreja. Como era um homem forte, atirou o seu cajado para longe para encontrar um lugar para realizar a sua obra. O cajado foi parar a S. Jorge, mas as pessoas não gostaram de Gonçalo e expulsaram-no da sua terra. Então, ele, triste com a atitude das pessoas, disse:

-Fica-te povo de S. Jorge, que a falar irás parecer os demais a berrar. – Ainda hoje se diz que as pessoas de S. Jorge de Vizela falam demasiado alto, por causa desse facto.

Continuou a atirar o seu cajado, até que caiu em Amarante. Aí decidiu construir a igreja, pedindo ajuda aos locais. Alguns não querendo deixar os seus animais ajudar a transportar as grandes pedras, inventavam mil desculpas.

Um dia, um agricultor que trazia um carro puxado pelos seus animais, viu que S.Gonçalo se dirigia a ele para pedir ajuda. Este, não querendo ajudar, disse ao homem que o acompanhava para se deitar na carroça e fingir-se de morto. Assim, a carroça do defunto passaria sem o ajudar, pensou o agricultor.

Então, S. Gonçalo, ao perceber a intenção, disse-lhe:

– Morto vais, morto hás-de ficar.

Uns passos mais adiante, o agricultor reparou que o seu amigo estava mesmo morto.

Aí deu a volta e foi pedir a S. Gonçalo que voltasse a restituir a vida ao seu amigo. E esta é a lenda de S.Gonçalo. Não deixe de visitar esta capelinha e venha participar nesta nossa romaria.