Cultura
Joaquim Pavão roda filme em Santo Tirso

“SCULP” EXPLORA AS PEDRAS BASILARES DA VIDA ATRAVÉS DAS ESCULTURAS DO MUSEU INTERNACIONAL DE ESCULTURA CONTEMPORÂNEA

O novo filme do realizador Joaquim Pavão vai decorrer em Santo Tirso. Recentemente galardoado em Nova Iorque, o realizador está a preparar “Sculp”, centrando-se nas esculturas ao ar livre do Museu Internacional de Escultura Contemporânea. As primeiras filmagens decorrem entre os dias 20 e 29 de março, na Fábrica de Santo Thyrso e no Parque Urbano Sara Moreira.

Nascer, comer, brincar, construir, contemplar, procriar, morrer. O novo filme de Joaquim Pavão terá sete quadros que representam os sonhos, liberdades e pensamentos de uma personagem que habita um mundo onde todas as escolhas são facilitadas por algoritmos.

Uma realidade facilitada e confortável que responde a todas as necessidades no imediato. Um filme rodado em torno das esculturas do Museu Internacional de Escultura Contemporânea (MIEC) dispersas pela cidade de Santo Tirso e onde “a escultura é o corpo, o corpo é a escultura”.

O projeto irá não só ter um papel diferenciador na internacionalização dos objetos artísticos do MIEC, através da presença em Festivais de Arte, Museus e outras instituições de renome internacional, mas também promover o debate acerca das relações entre arte, urbanismo e cidadania.

A componente musical, a cargo do compositor Óscar Flecha, um dos mentores do Festival Internacional de Guitarra de Santo Tirso, é outro dos pontos fulcrais explorados. “O filme começa na música. É a base. É ela que cria os espaços, o tamanho, a atmosfera”, adianta o realizador, Joaquim Pavão, sublinhando que a música de Óscar Flecha “desenha outros espaços, outras realidades”. “Todo o filme está sob o mundo sonoro de Óscar Flecha”, acrescenta.

Sculp é uma abordagem à realidade, “uma visão de um possível futuro”, “um mote para a interrogação”. Dirigido ao público em geral, e “a quem quer fruir, pensar, discutir, duvidar, criticar, a quem está vivo e habita o seu espaço”, deverá estrear no primeiro trimestre de 2020 e terá dois anos de passagens por festivais internacionais de todo o mundo, bem como distribuição para cinema.

Recorde-se que Joaquim Pavão foi, recentemente, galardoado em Nova Iorque. “Antes que a noite venha – Falas de Antígona”, que o realizador criou durante o “Creative Film Workshops”, do Festival Internacional de Cinema AVANCA, alcançou quatro distinções no “Red Carpet Film Awards”.

O Museu Internacional de Escultura Contemporânea é composto por 55 esculturas dispersas por seis polos da cidade, numa ideia que partiu do escultor já falecido Alberto Carneiro, quando desafiou Joaquim Couto, presidente da Câmara de Santo Tirso em 1990, a “ter um caso único em Portugal, com os escultores mais importantes dos seus países e que integram a vanguarda da escultura contemporânea”. Hoje, há 55 escultores nacionais e internacionais pelas ruas de Santo Tirso, desde o artista belga Paul Van Hoeydonck que tem uma obra sua na lua, até nomes como Pedro Cabrita Reis, Fernanda Fragateiro, Júlio Le Parc, Fernando Casás ou Carlos Criz Diez.   

A 21 de maio de 2016, o Museu Internacional de Escultura Contemporânea “ganhou” a sua sede. Um projeto que juntou os dois conceituados arquitetos portugueses Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura. A sede do Museu Internacional de Escultura Contemporânea é obra de dois galardoados com o Prémio Pritzker, numa intervenção que envolveu, também, a requalificação do Museu Municipal Abade Pedrosa, sedeado numa das alas do Mosteiro de São Bento.